quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um sonho especial

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Imagem retirada da internet
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Sempre sonhei muito e ainda me lembro de alguns sonhos dos meus tempos de criança, mas não recordo nenhum que me tenha marcado como me marcou um que sonhei esta noite e duvido que alguma vez se apague da minha memória...
Eu estava no consultório de uma médica pediatra no papel de terapeuta no intuito de tentar ajudar um menina com não mais de cinco anos cujo pai ali havia levado à revelia da mãe.
Dei-lhe algumas canetas de cor para as mãos e, antes de ter tempo para mais, ela tem um "ataque", contorcendo-se violentamente.
No momento seguinte a menina estava ao meu colo, de frente para mim, semi-deitada nas minhas pernas enquanto eu lhe amparava as costas e a cabeça.
Mantinha ainda um marcador preto na agarrado na sua pequena mão, tinha os olhos manchados de negro e o lado esquerdo da sua face cheio de garatujas da mesma cor onde se conseguiam identificar as letras H E L P que iam do queixo até à linha do cabelo.
Algo dentro de mim gritava: envenenamento!
Olhei para a médica e, sem que o pai ouvisse, perguntei-lhe o que pensava. Ela encolheu os ombros com uma expressão de impotência no rosto e disse: "também me parece mas as análises topológicas vieram negativas..."
Contudo, o que mais impressionou foi a intensidade do olhar daquela menina preso no meu, firme mas sem desespero, a enfrentar-me.
Do mais profundo do meu coração veio a promessa: "Eu vou ajudar-te!"
E acordei.
Eram certa de 2H30 da manhã, despertei e tive dificuldade em voltar a adormecer porque parecia continuar a ver à minha frente aqueles olhos fixos nos meus e algures dentro de mim ressoavam as palavras "estou à tua espera".
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Esta história não foi inventada, foi mesmo um sonho e, como tal, terá pontos pouco plausíveis ou mesmo incoerentes. E também sei que por detrás dela está a minha vontade de me tornar terapeuta e a paixão pelas crianças, assim como o livro em inglês que tenha andado a ler sobre arte-terapia, mas gostava de saber mais.
Parece-me estar cheia de pequenos simbolismos que não faço ideia de como interpretar...
Alguém me pode ajudar?
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Brincar com a arte

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. . . . .. . . . . . . . . . . . . . ...Imagem retirada da Internet

Recebi recentemente um convite para um curso intensivo de arte terapia a realizar pela S.P.A.T. nos próximos dias 28 e 29 de Novembro. Isso fez reacender-se em mim uma já antiga curiosidade sobre a arte terapia, e levou-me a ler sobre esta forma de arte tão diferente da que fez parte de alguns dos mais importantes anos da minha vida de uma forma não tão positiva como eu gostaria e deveria ter sido. Algo que me surpreendeu foi que, ao contrário do que pensava, a arte terapia não incide sobre a análise ao que as pessoas fazem, pelo menos para a maioria dos arte terapeutas, mas sim no apoio e orientação do cliente incentivando este a identificar o significado do que produziu.
À semelhança da Focalização, também aqui o cliente é levado a fazer um fazer um intenso trabalho interior estando sempre no comando do seu próprio processo. Para alguém fundamentalmente analítico como eu, juntando as inúmeras aulas de arte de arte e as nem sempre positivas críticas que recebi, conseguir largar as regras e pôr no papel o que quer que seja sem estar constantemente a pensar se está ou não “bonito” é algo brutalmente difícil e um desafio que estou disposta a enfrentar.
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Num passeio pela internet descobri as mandalas. Acredito que, para mim, nada podia ser melhor para começar e para voltar a pegar ao fim de tanto tempo nas canetas e nos lápis de cor.
Foi uma sensação extraordinária!
É sem qualquer dúvida, uma actividade relaxante e estava ao mesmo tempo a fazer algo “bonito”. Como os primeiros desenhos que imprimi tinham imagens concretas de flores, estrelas e anjinhos, é claro que as primeiras cores em que peguei, foram o amarelo para as estrelas, rosa para as flores e tudo como é “suposto”. Depois o meu “bichinho” interior, já espicaçado pelo desafio anteriormente assumido resolveu “quebrar as regras” e troquei as cores todas. Foi divertido e continuei a obter um resultado visual agradável. Que mais podia pedir?
Volto a afirmar que foi uma sensação fantástica e só me apetecia continuar agarrada aos lápis e às canetas, debruçada sobre umas folhas de papel a pintar.
Pode soar infantil, mas é aí mesmo que reside o âmago da questão: vivemos os nossos dias agarrados às nossas rotinas, presos nos nossos problemas e, na maioria dos casos, esquecemo-nos de "brincar", de descontrair e do tão bem que isso nos fazia sentir.
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