quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Derrota "à antiga"


Talvez não em todas, mas tenho a certeza que a minha casa não foi a única em Portugal onde, ontem à noite, o ambiente esteve um tanto ou quanto carregado...
A minha vontade é dizer:
"Volta Scolari, estás perdoado!"
Não sou pessoa para me aborrecer com futebol, e a única vez que me emocionei a sério, enervei e quase chorei foi no Euro 2004, especialmente no jogo entre Portugal e Inglaterra, mas tenho um marido que adora desporto no geral e futebol em particular e a noite passada foi, para ele, triste por ver a nossa selecção passar um jogo a fazer tudo menos jogar bom futebol, como fazia nos tempos anteriores a Scolari.
Muito criticaram este senhor pelo seu mau feitio, pelas coisas que dizia e, para muitos, pelos menos bons resultados, mas a verdade é que Portugal nunca atingiu resultados como com ele. Não ganhou o Euro ou o Mundial?
Verdade, mas apurou-se Sr. Carlos Queiroz!
E nem sequer foi eliminado nos primeiros jogos!
Garante que seremos apurados para o Mundial de 2010?
A jogar desta forma, nem os seus belos olhos me convencem!
E quanto ao Sr. Rui Santos... pelas suas lindas gravatas - gostava de o ouvir comentar o actual futebol da nossa Selecção!
Mas sou "apenas" uma mulher e por isso digo que - desporto é assim mesmo e que podemos afirmar que Portugal tem equipa para jogar melhor, que é uma vergonha, e muito mais - a minha pergunta é apenas esta:
Tens a certeza que isso é mesmo verdade?
Não, não é!
Porquê?
Por um único motivo - a realidade é que não o faz!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Viagem



A viagem à descoberta dos meus pensamentos tem sido algo de verdadeiramente extraordinário com muitas realizações surpreendentes.
Chegar à conclusão que não são eles que complicam a minha vida, mas sim o facto de acreditar e me confundir com eles pode, à partida, parecer pouco especial, mas a verdade é que, se o método é bastante simples, o ir ao mais fundo de mim mesma e reconhecer todas as minhas fragilidades e medos nada tem de fácil e exige uma boa dose de coragem.
No final, a viagem vale, sem qualquer dúvida, a pena pois além de muitas vezes terminar a rir de e comigo mesma, a sensação de liberdade é extasiante.

Há muito tempo alguém me disse que todas as pessoas que encontramos são um espelho de nós mesmos e Ken Keyes Jr. disse uma vez:
"Uma pessoa adorável vive num mundo adorável. Uma pessoa hostil vive num mundo hostil. Todas as pessoas que encontra são o seu espelho."
Confesso que apenas agora começo a concordar e a compreender o seu verdadeiro significado. Não se trata de ter algo em comum com um violador ou um pedófilo, seguramente, mas sim conseguir reconhecer em mim própria os pontos negativos em que cada experiência menos positiva toca.

Um destes dias fiz O Trabalho sobre uma pessoa que embora de forma algo indirecta tem uma importância bastante significativa na minha vida por se tratar do namorado de uma grande amiga minha e grande amigo do meu marido...
Alguém que tocava em MUITOS pontos negativos e que, com frequência, me irritava a um nível bastante profundo. Alguém que está convencido saber sempre tudo e mais que qualquer pessoa. Que muda o discurso consoante os seus próprios interesses de forma bastante egoísta. Ninguém parece saber fazer nada tão bem como ele e é perito em chamar à atenção quem ele considera estar a agir de forma incorrecta acabando por se meter onde não devia. E é claro que não podia deixar de ter uma grande dificuldade em ver o que ele próprio faz de menos bem.
Pois o meu Inquérito correu mais ou menos da seguinte forma:
Tenho a certeza que é verdade?
Como ele pensa para além do que diz? Não, não posso ter!
Como me sinto quando tenho este tipo de pensamentos?
Profundamente irritada, e muito pouco simpática para com ele mesmo que indirectamente.
Como seria eu se não fosse capaz de ter estes pensamentos?
Seguramente mais descontraída, menos crítica, capaz de ver a pessoa culta, inteligente e bem disposta que é.
Inversões:
O X não se mete onde não deve - bem... a verdade é que comigo ele não o faz! (provavelmente por já me conhecer o suficiente...:-))
Eu meto-me onde não devo - É um facto! Afinal nenhuma das situações sobre as quais opino tem directamente a ver comigo.
Eu tenho a mania que sei tudo - Sem dúvida, ao querer que ele aja como eu penso que deve agir, que pense conforme eu acho que deve pensar.
Eu sou egoísta - E sou mesmo quando não penso como se devem sentir a minha amiga ou o meu marido quando critico de forma tão veemente alguém que eles tanto gostam.

Este foi, sem dúvida, um dos trabalhos com maior efeito em mim:
Quando terminei, não só me tinha rido de mim própria de forma positiva como cheguei à conclusão que tenho criticado alguém que até gosto bastante quando não estou tão empenhada em ver apenas os seus aspectos menos simpáticos como, no que diz respeito aos negativos, percebi que o barrete também me serve.

VALE A PENA!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

À descoberta




Sempre amei o meu país à beira-mar plantado, mas também sempre considerei o povo português, no geral, demasiado amargo, desiludido e egoísta.
Hoje apercebo-me que grande parte das pessoas, e eu já fui uma delas, não se amam a si próprias e vivem à procura de alguém que o faça. Não conseguem estar bem consigo próprias e procuram diversas formas para evitar estar sós, seja pelo álcool, pelas drogas, pelo sexo, por inúmeros companheiros, más companhias ou pelo trabalho...
São inúmeras as formas e tudo porque enfrentar a própria cabeça, os pensamentos que não param, é algo inconcebível. Muitos tentam fugir apenas para chegar à conclusão que tal não é possível: o que pensamos sobre nós mesmos, sobre outros, sobre a nossa vida, não fica para trás, segue-nos para onde formos e está presente cada momento do nosso dia estejamos acordados ou, muitas vezes, também a dormir.
Amar alguém que não se ama a si próprio é uma das tarefas mais duras de enfrentar: se nos fazem uma observação/sugestão podemos reagir de forma bastante agressiva pois sentimos como um insulto; se nos fazem um elogio, não é seguramente verdade; e por aí fora.


Talvez exista uma solução pacífica - parar para observar como a nossa mente funciona, ouvir os nossos pensamentos e descobrir até que ponto acreditamos e nos confundimos com eles. Até os compreendermos, não nos estamos a relacionar com outras pessoas ou com nós próprios, mas sim com conceitos que nunca investigámos nem mesmo nos apercebemos. Apenas por tomarmos consciência da sua existência e forma aprendemos uma nova forma de nos relacionarmos com eles.
Ao fazer O Trabalho ficamos frente-a-frente com partes da nossa vida sobre as quais podemos nunca ter pensado seriamente. Conhecermo-nos desta forma é algo extremamente interessante e rasgos de luz e felicidade surgem de onde menos esperamos. Descobrimos o que é realmente verdade e o que as outras pessoas pensam de nós deixa de ser importante.
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Já li muitos livros de auto-ajuda e não posso negar que a maior parte, pelo menos, me ajudou em algo em dada altura. Como quando vi o filme "O Segredo" e me senti cheia de energia, extremamente motivada e confiante dum futuro cheio de felicidade...
Quanto tempo durou?
Confesso que apenas uma ou duas semanas e agora pergunto - quanto tempo era suposto durar uma sensação de bem estar baseada em expectativas para o futuro?
A verdade é que se estou insatisfeita com o meu presente o máximo que posso conseguir é uma energia extra baseada numa ilusão de futuro que, enquanto dura, me ajuda a enfrentar o dia-a-dia de forma mais optimista e até conseguir alguns resultados positivos, mas quando o efeito passa volto ao meu eu antigo e, se mantenho as expectativas de uma mudança radical posso desiludir-me e aumentar a "fossa" porque os segredos d"O Segredo" já não resultam comigo.
E se conseguir ser feliz com a minha realidade actual?
Serei, seguramente, uma pessoa muito mais alegre, bem disposta, amigável e atenta.
Atenta, por exemplo, às pessoas que me rodeiam, conseguindo ver o melhor delas em vez de apenas o menos bom, e às possibilidades reais e efectivas de trazer ao meu presente melhores condições.
Quem sabe se uma das pessoas que antes criticava e me irritavam e agora até simpatizo, me dá uma oportunidade de ouro quando, anteriormente, jamais pensaria em mim para tal.
Não passei a ser hipócrita, apenas fiz o Inquérito sobre essa pessoa, reconheci os aspectos em mim que ela apontava e, em vez de esperar que ela mudasse, mudei eu e comigo mudaram os resultados.
VALE A PENA!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O sorriso de uma criança


Para mim, nunca houve som igual à gargalhada de uma criança!
Hoje em dia, quando a minha filha ri com o irmão (ninguém consegue soltar-lhe a gargalhada como ele e ele desmancha-se com ela), paro o que estiver a fazer apenas para os ouvir.
É a música mais linda que se pode ouvir.


Ontem, de regresso a casa, reparo que, num carro à minha frente, umas mãos acenavam na janela lateral do banco traseiro. Ao ultrapassá-lo percebo um rapazinho, dos seus 7/8 anos, e devolvo-lhe o aceno com um sorriso. A sua reacção foi automática. Naqueles poucos segundos vejo-o saltar num misto de surpresa, alegria e excitação apontando para mim para informar a família que aquela senhora tinha-lhe dito adeus.
Depois de uma noite mal dormida e um dia complicado no trabalho, aquele pequeno episódio fez-me sentir mais leve. É tão fácil fazer uma criança sorrir!

Não é possível terminar de vez com tamanho sofrimento que alguns seres pouco humanos infligem a crianças, mas eu tenho o sonho de, um dia, trabalhar para ajudar crianças traumatizadas a reaprender a sorrir.
Não consigo imaginar maior compensação que dar a mão àqueles pequenos seres que não pediram para vir a este mundo e parecem estar a ser castigados por tal.

Um dia... quem sabe!


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Formas de pensar



Ao aprofundar a minha reacção a determinadas situações concluí que não são, de facto, estas que me fazem sofrer, mas sim o que penso sobre elas:

- Se estou presa numa fila de trânsito posso pensar "Meu Deus, tenho tanto trabalho para fazer e estou aqui parada! E isto não anda! Porque é que não saí de casa mais cedo?" e ficar num estado de ansiedade que não me faz chegar mais cedo. Ou posso analisar os meus pensamentos...
- Isso é mesmo verdade? Não, não é. A verdade é que estou aqui, não saí mais cedo, e vou chegar tarde.
- Como reajo quando tenho estes pensamentos? Sinto-me ansiosa, tensa, o meu ritmo cardíaco dispara e a mente divaga por tudo o que podia estar a fazer e não estou.
- Como seria sem este pensamento? Sentir-me-ia descontraída, a ver o sol a espreitar por entre as nuvens, saboreava a música do rádio ou divertia-me com as inúmeras caras e situações que se passam nos carros que me rodeiam.
- Invertendo: Ainda bem que fiquei parada no trânsito, assim posso passar uns minutos sem preocupações, o que é TÃO raro, e o trabalho acabará por ser feito de qualquer forma.
UAU! Pode parecer exagero, mas foi assim mesmo que me senti!
Era apenas a forma como estava a encarar a situação em si que me provocava mal estar. Assim que mudei a história senti-me livre e descontraída.
Assim tão fácil?
É uma questão de tentar para ver!
Quando ainda não estamos familiarizados com o inquérito deve-se SEMPRE escrever as respostas, pois a nossa mente é perita em dar a volta às questões e contra-argumentar qualquer resposta. Ao escrever vamos até ao nosso mais profundo interior e conseguimos uma sinceridade sem ego.

Esta é a minha nova forma de abraçar o que é e não lutar contra uma realidade que não tenho como mudar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

The Work



"A auto-realização é uma coisa doce. Mostra-nos como somos completamente responsáveis por nós próprios e é aí que encontramos a liberdade. Em vez de se preencher através dos outros, é melhor preencher-se através de si. Em vez de procurar a realização em nós, pode encontrá-la sozinho.
Nós não sabemos como mudar, perdoar ou ser honesto. Estamos sempre à espera de um exemplo. É você. Você é a sua única esperança, porque nós não vamos mudar até que você mude. A nossa tarefa é continuar a picá-lo, tanto quanto pudermos, com tudo o que o irritar, perturbar ou repugnar, até que compreenda."
Em "Para acabar com o sofrimento"
Byron Katie
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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Devia ser diferente...


Quando comecei a pensar onde, na minha vida, melhor poderia utilizar o método de Byron Katie vieram-me à ideia algumas questões que, de certa forma, ainda me magoam e que gostaria de ver resolvidas e verifiquei que, sorte a minha, não eram muitas.
Depois comecei a pensar num dia-a-dia comum e quantos pequenos "devia/não devia ser assim" mais ou menos directos me ocorriam e fiquei surpreendida...
- O despertador não devia tocar tão cedo;
- Eu não devia ter de ir trabalhar tão cedo;
- O meu filho devia ser mais despachado;
- A minha filha não devia chorar tanto;
- Aquela camisa já devia estar passada;
- O meu cabelo não devia estar levantado;
- Não devia estar tanto frio;
- As obras da estrada já deviam ter terminado;
- Não devia haver tanto trânsito;
- Aquele condutor não se devia ter atravessado à minha frente;
- Esta gente devia ir aprender a conduzir e o que é civismo;
- Devia ter um lugar para estacionar mesmo à porta do meu trabalho;
- Quando eu digo bom dia esta gente devia responder;
- O meu chefe já devia ter chegado;
- Devia ter mais tempo para terminar este trabalho;
- Devia ser promovida;
- Devia ganhar mais e pronto;
- Devia ter uma hora de almoço decente;
- O empregado do restaurante devia ser mais simpático;
- Já deviam ser horas de me ir embora;
- Devia ter uma empregada para me fazer as coisas de casa;
- Não deviam estar sempre a aumentar os preços das coisas;
- O dia devia ter mais horas para eu conseguir fazer tudo o que preciso;
- Devia ter-me lembrado de comprar aquilo;
- O meu vizinho devia fazer menos barulho;
- Devia ter dinheiro para comprar uma casa maior,
- Devia sair-me o Euromilhões;
- ...

Será que só eu é que sou assim????
Sinto-me um tanto deprimida ao constatar tamanha luta contra a realidade!
A verdade é que as coisas são como são e a única coisa que ganho ao não as aceitar será uma dor de cabeça ao fim do dia e as suas consequências - pouca paciência para os filhos e marido, frequentes discussões com todos e aumento da dor de cabeça para no dia seguinte começar tudo de novo.

Que adianta?
Como diz a Katie:
"Quando discuto com a realidade perco, mas só cem por cento das vezes"